Branding: Como a Gestão de Marca Transforma a Percepção do Cliente e Impulsiona VendasLeitura: 12 min

Você já parou para pensar em como o seu negócio é percebido pelos clientes? Muitas vezes, passamos tanto tempo focados em processos internos, metas de vendas e operações do dia a dia que nos esquecemos de algo essencial: a forma como nossa empresa se apresenta ao mundo. A percepção que o público tem de nós pode não apenas definir a longevidade do negócio, mas também impactar diretamente sua capacidade de atrair e reter clientes. Hoje, vivemos em um cenário em que a concorrência é cada vez mais acirrada, e o menor deslize pode fazer com que o cliente escolha outro produto ou serviço. Por isso, a construção de uma marca sólida e coerente – o branding – se tornou um diferencial fundamental para quem deseja se destacar.
Entretanto, ainda há muitos gestores que veem o branding como um gasto supérfluo, ou como algo excessivamente abstrato, sem retorno financeiro claro. Eles podem até saber que “ter uma marca forte” é importante, mas não compreendem ao certo como medir esse retorno, nem como alinhar branding a estratégias de marketing mais diretas, voltadas para vendas. O resultado desse descompasso é uma percepção distorcida do que a sua empresa realmente é – e o pior, esse problema não fica escondido debaixo do tapete. Ele se reflete nos números de vendas, na satisfação do cliente e na reputação do negócio em médio e longo prazo.
Neste artigo, pretendo abordar a problemática de como a sua empresa pode estar sendo percebida de forma equivocada se não investir corretamente em branding. Vou explorar dois pontos de vista distintos sobre o tema: a forma como o branding era visto pelo marketing do passado e a maneira como o marketing atual (e do futuro) enxerga esse pilar fundamental. Também vou explicar como essas diferenças de percepção podem alavancar ou arruinar um negócio, além de mostrar o porquê de você não poder mais ignorar a relevância de uma boa estratégia de marca.
A Visão do Marketing do Passado
Tradicionalmente, o branding era encarado de modo muito superficial por muitas empresas. Havia uma crença de que bastava ter um logotipo bonito, uma identidade visual interessante e, quem sabe, participar de algumas ações sociais pontuais para passar a imagem de “empresa bacaninha”. Não era raro ver executivos dizendo que branding era “papo de designer” ou “marketing que não se mede”. Na prática, considerava-se que o branding servia apenas para dar uma maquiagem na empresa, sem necessariamente trazer métricas de retorno ou correlacionar seus esforços com vendas.
Criação de Valor Intangível (sem métricas claras)
No passado, quando se falava em “criar valor intangível”, as pessoas tinham dificuldade de mensurar isso. Sem necessidade de métricas, o argumento era basicamente emocional: “Vamos tornar a empresa ‘cool’, confiável, interessante!” Entretanto, pouca gente se preocupava em associar esse valor intangível a metas tangíveis de crescimento, faturamento ou engajamento. Tudo ficava no campo da percepção subjetiva.
ESG, Diversidade, etc. (visto apenas como ‘modismo’)
Outro ponto era o envolvimento em causas sociais ou ambientais. Projetos de ESG (Environmental, Social and Governance) e iniciativas de diversidade apareciam, mas muitas vezes como estratégias pontuais, desconectadas do core business. Soavam como ações de “marketing de causa”, mas não havia um real compromisso em mostrar para o público que esses valores faziam parte da essência da empresa.
Falta de Compromisso com Vendas e Resultados
Por não haver um claro compromisso com as vendas, o branding acabava restrito ao “topo de funil”, apenas para chamar atenção ou melhorar o reconhecimento de marca. Acreditava-se que quem fazia o trabalho de vender era o departamento comercial, e que não havia motivo para integrar diretamente a construção de marca com estratégias de vendas ou métricas de ROI (retorno sobre investimento).
Despesa, Não Investimento
Com isso, o branding era visto como despesa. Um custo que entrava no orçamento de marketing, sem qualquer possibilidade de correlação com resultados financeiros reais. Se a grana apertava, cortava-se o branding. Afinal, era algo considerado “supérfluo”. Esse pensamento fez muitas marcas estagnarem e não conseguirem se reposicionar em momentos de crise.
A Visão do Marketing do Presente e Futuro
Felizmente, a maneira de encarar o branding mudou – e muito! Hoje, empresas competitivas, que se preocupam com a experiência do cliente e o valor agregado que entregam, entenderam que branding não apenas gera reputação, como também tem um impacto direto em vendas e na fidelização de clientes. Vejamos como essa nova visão se diferencia:
Conectado ao Marketing e Focado em Pessoas Reais
Antes, o marketing era encarado como um departamento isolado, cuja função principal era divulgar produtos e tentar vender. Agora, branding e marketing caminham juntos e, mais do que isso, estão centralizados em um propósito maior: as pessoas. Tudo se resume a entender o comportamento, as necessidades e as motivações reais dos consumidores, construindo uma narrativa de marca que converse com esses anseios.
Uma Empresa Rentável e Mensurável
Empresas modernas sabem que, embora o branding tenha aspectos intangíveis, existem diversas formas de mensurá-lo. Métricas de brand awareness (reconhecimento de marca), brand equity (valor de marca), NPS (Net Promoter Score), índice de satisfação do cliente e correlacionamento direto com aumento de vendas ou crescimento de market share são exemplos de como quantificar o impacto de uma boa estratégia de marca. Dessa forma, fica claro que o branding, quando bem estruturado, ajuda a empresa a ser mais rentável.
Correlação Forte com Vendas e Todas as Etapas do Funil
O branding não se limita mais ao topo do funil. Ele se faz presente em todas as etapas: desde atrair a atenção do cliente, até construir um relacionamento duradouro após a compra. Uma marca forte, que entrega confiança e relevância, faz com que o cliente não apenas compre, mas também indique para outras pessoas. Isso significa que cada estágio do funil – do awareness ao advocacy – é impactado pela percepção que o consumidor tem da marca.
Investimento que Aumenta o Valor Percebido
Hoje, cada vez mais empresas veem o branding como um investimento. Quando você fortalece sua marca, eleva o valor percebido de seu produto ou serviço. Isso permite, inclusive, ter maior flexibilidade no preço, já que o cliente enxerga um diferencial e está disposto a pagar por ele. Um exemplo clássico: há marcas de eletrônicos que cobram valores muito acima da média de mercado e, ainda assim, conquistam legiões de fãs. Isso ocorre não só pela qualidade do produto, mas também pela força da marca, pela experiência oferecida e pela percepção de valor que se constrói.
Definição de Identidade de Marca e Construção de Confiança
A identidade de marca vai muito além de um logotipo ou um slogan. É sobre quem você é, o que você defende, como se comunica e qual é o papel da sua empresa no mercado e na vida das pessoas. Essa identidade, quando genuína, inspira confiança. E confiança é o pilar básico para qualquer relação comercial duradoura.
Construção de Reputação e Trabalho Conjunto com Growth
Ainda tem quem pense em branding e growth separadamente, mas a realidade é que as duas áreas devem trabalhar lado a lado. O growth marketing – com sua mentalidade de testes, métricas, experimentos e otimização contínua – precisa de uma base sólida de marca para que o processo de aquisição e retenção de clientes seja sustentável. Ao mesmo tempo, a equipe de branding necessita dos dados e insights gerados pelas estratégias de growth para alinhar ou ajustar posicionamentos e narrativas.
Impacto na Percepção do Cliente e Essência da Empresa
Por fim, algo que não pode ser subestimado é o poder do branding em moldar a percepção do cliente sobre a sua empresa. O que você promete e como entrega. A forma como o cliente se sente ao interagir com o seu produto ou serviço. E mais: esse impacto não ocorre apenas externamente. Uma boa estratégia de marca influencia, inclusive, a cultura interna da organização, pois reforça o propósito e inspira colaboradores a vestirem a camisa.
Por que Você Não Pode Ignorar o Branding
Se você chegou até aqui, já deve ter uma noção de que o branding vai muito além de um mero embelezamento. Ele é a espinha dorsal de qualquer estratégia de marketing realmente eficaz. Porém, algumas empresas ainda resistem, achando que esse tipo de investimento não é prioridade. O problema é que, no mercado atual, repleto de opções para o consumidor, ficar estagnado é a receita certa para perder relevância. E, quando menos perceber, você estará lutando para sobreviver em um oceano de concorrentes que já entenderam a importância de construir e manter uma marca forte.
Não é exagero dizer que a percepção de valor pode ser o ponto de virada para o sucesso ou o fracasso. Um cliente mal impressionado não apenas deixa de comprar, como também compartilha sua experiência negativa com outras pessoas, seja em redes sociais ou no tradicional “boca a boca”. Por outro lado, um cliente satisfeito se torna um embaixador e defende sua marca com unhas e dentes, recomendando-a sempre que possível.
Portanto, se você acha que branding é algo puramente estético, ou que não traz retorno, é hora de repensar. Hoje, existem inúmeras ferramentas que permitem acompanhar métricas de reputação online, engajamento nas redes sociais, pesquisas de satisfação e muito mais. Não faltam recursos para mensurar o valor que a construção de marca traz. O que falta, muitas vezes, é a vontade de integrar o branding às estratégias de marketing e a disposição de estabelecer metas claras para ele.
A Urgência de Rever sua Estratégia de Marca
Em um mercado em constante transformação, onde cada vez mais se fala sobre inteligência artificial, automação e análise de dados, é fácil se perder em meio a novidades tecnológicas. Contudo, nenhuma dessas inovações resolverá o problema de uma marca mal estruturada ou de uma identidade inconsistente. A tecnologia amplifica a mensagem, mas se a mensagem não for clara, verdadeira e alinhada ao que o público espera, pouco importará quantos recursos digitais você utilize.
O mundo está cada vez mais veloz e competitivo, e as pessoas têm menos paciência para marcas que não entregam o que prometem ou que falham na hora de se comunicar. Se até alguns anos atrás era possível sobreviver com um branding mais ou menos, hoje o risco é muito maior. Uma reputação negativa na internet pode se espalhar rapidamente, comprometendo até mesmo negócios consolidados.
Por isso, é urgente que as empresas entendam que o branding não é apenas a cereja do bolo: ele é o bolo inteiro – a essência que amarra todos os ingredientes e garante sabor, coerência e consistência. Sem isso, qualquer estratégia de vendas, por melhor que seja, ficará capenga. E, se você ainda duvida, basta analisar as marcas que se tornaram sinônimo de sucesso em seus segmentos. Todas elas têm em comum uma obsessão por criar uma imagem sólida, apoiada em valores e propósitos que se refletem em cada ponto de contato com o cliente.
Faça do Branding o Seu Alicerce
Chegou a hora de dar o passo além e repensar como a sua empresa é percebida. Se você quer conquistar credibilidade, aumentar suas vendas e assegurar um lugar de destaque no mercado, precisa investir em branding de forma séria e estratégica. Pare de encará-lo como uma despesa que pode ser cortada a qualquer momento. Em vez disso, veja-o como um investimento que trará retorno em todas as etapas do funil, construindo confiança e relacionamento de longo prazo.
A integração entre branding e marketing não é mais uma opção: é uma exigência do mercado atual. As empresas que compreenderem essa sinergia sairão na frente, conquistando a preferência do consumidor e, consequentemente, gerando mais receita. E esse ciclo virtuoso só se mantém se houver consistência – se a cada ação de marketing corresponder uma experiência real e positiva para o cliente.
Fica, então, um alerta que costumo compartilhar de maneira enfática com meus parceiros de negócio:
“Ainda existem muitas empresas que não entendem o valor do branding e tratam isso como um luxo. Mas não podemos esperar: cada dia sem uma estratégia sólida de marca é um passo para a irrelevância.” – Tiago Serra
Essa frase expressa a urgência e a importância de repensar a forma como você constrói a imagem da sua empresa diante do público. Num ambiente em que a concorrência está a um clique de distância, quem não investe tempo e recursos para desenvolver uma marca forte acaba fadado a competir apenas por preço ou recursos de produto, perdendo a chance de criar conexões emocionais genuínas com seu público.
Portanto, não deixe para amanhã o que você pode começar agora. Avalie como a sua empresa está sendo percebida, identifique os pontos de melhoria e crie um planejamento de branding que seja mensurável, conectado ao marketing, focado em pessoas reais e comprometido com resultados de longo prazo. Lembre-se: sua marca não é apenas uma aparência; é a soma de tudo o que a empresa é e faz. Trate-a com o devido cuidado, pois ela é a ponte que liga você ao seu cliente – e, no final das contas, é disso que toda empresa vive.